A Luta da Classe Social em 3 Filmes

Aqui vão 3 dicas de filmes que mostram conflitos de classes sociais. Obviamente são de ficção científica, estilo que ataca com unhas e dentes os problemas sociais, com críticas afiadas e, muitas vezes, que passam despercebidas, apenas para compor o imaginário das pessoas e moldar o comportamento de todos nós no dia a dia, rumo a uma sociedade que possa sempre debater e ser cada dia melhor.
Tentarei contar o mínimo de spoilers possíveis, deixando bem claro que não estou puxando sardinha para política, apenas lançando reflexões sobre alguns preconceitos da sociedade, então vamos lá!
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A primeira dica fica para o filme Daybreakers. No Brasil levou o título de 2019 – O Ano da Extinção. Ele traz feras do cinema como Ethan Hawke e William Dafoe, dentre outros. À parte da história do protagonista, somos apresentados com uma estética distópica/ gótica moderna, com uma sociedade totalmente adaptada à vida noturna. Vemos engenhocas e soluções, muitas vezes curiosas para se escapar da luz do sol.
Quase todos os seres humanos na Terra viraram vampiros. A maior parte dos que restaram serviram como “doadores de sangue” para os vampiros. As aspas estão aí justamente pelo sentido de voluntário que a palavra doador carrega, pois na verdade não é assim. Como os vampiros são dominantes, as pessoas são forçadas a ajudarem os vampiros a sobrevivem, tal como usamos o gado e demais animais para a nossa existência.

 
Como todo comportamento predatório, uma hora a oferta acaba por ser menor que a demanda. Os humanos não são suficientes para garantir o futuro dos vampiros. Começam os cortes, mostrados no filme, por exemplo, como o quanto de porcentagem de sangue que se vende no café sendo diminuído, fazendo alusão aos nossos impostos do cotidiano.
Os vampiros que passam fome no filme sofrem consequências e o governo elimina essa porção da sociedade, os transformando em inimigos, tal como grande parcela da sociedade marginaliza as pessoas que não se enquadram no que se estabelece como o padrão para todos, nos fazendo pensar se seria esse mesmo o caminho mais correto, em se colocar nem que seja de vez em quando nos dois lados da moeda, de ter uma visão mais holística do mundo.
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Assim partimos para a segunda dica de filme. In Time, no Brasil lançado como O Preço do Amanhã. Esse filme trouxe algumas figuras conhecidas para a telona, como Justin Timberlake e Johnny Galecki de Big Bang Theory, além da diva Olivia Wilde.
Novamente, à parte da história principal, uma espécie de Robin Hood do futuro, há algumas críticas sociais muito interessantes nesse filme, embora elas sejam bem óbvias, são muito relevantes no nosso dia a dia.
A sociedade implantou um sistema ativado ao se atingir a maioridade. Assim que as pessoas atingem a fase adulta, não envelhecem e, consequentemente, não morrem. Uma solução elegante, para um sonho de imortalidade que a raça humana cria desde seus primórdios, com semideuses que resistem ao tempo, se mantendo jovens para todo o sempre.
Tudo isso, é claro, há um custo. Tal como o dinheiro garante a “cola” de nossa sociedade atual, neste filme, o “tempo” é a moeda de troca. Ao atingir a idade estabelecida, os humanos iniciam um contador no braço, que deve ser alimentado sempre com minutos, segundos, horas, para garantir essa imortalidade.
Obviamente, os menos afortunados precisam suar a camisa para conquistar preciosos minutos, enquanto os “ricos” despontam de tempo de sobra para até apostarem seu tempo como diversão.

 
Ao zerar o tempo do braço o ser humano morre. A crítica social jaz na divisão em castas em que se forma, de maneira que os menos afortunados dificilmente migram de uma classe social para outra. É interessante as analogias criadas em nosso cotidiano, quanto às barreiras que são colocadas para manter os pobres longe dos ricos. Os pedágios caríssimos, os descontos de tempo, o valor das amizades, a cobiça e crime elevado das regiões mais pobres e até mesmo o domínio dos bancos de tempo.
Uma crítica que se destaca nesse filme, é a de como os ricos parecem fazer tudo calmamente, pois têm tempo de sobra, sendo que os demais menos afortunados não podem “perder tempo” e acabam por nem descansarem, trabalhando um dia para viver as horas do seguinte, expondo as mazelas de nossa vida real, afinal, alguém realmente deveria ser “dona” do “tempo” de outrem?
Em nossa realidade, um sistema cultural e comportamental mais sadio seria uma coisa não igualitária, mas menos discrepante e segmentada, tal como em alguns países fazem, onde as faixas salariais e o prestígio das profissões graduadas não são tão grosseiramente diferentes uma da outra. Um profissional de limpeza é visto com o mesmo prestígio de qualquer outro não graduado e as demais profissões graduadas, como administradores, advogados, juízes, em alguns países, são vistas com o mesmo mérito, não permitindo as famosas carteiradas e achismos vistos no Brasil, pois todo trabalho é igualmente necessário na sociedade, seja ele predominante físico ou intelectual.
Gattaca Jude Law
E para terminar esse artigo a dica fica para Gattaca. Esse filme, também estrelado por Ethan Hawke, trazendo Uma Thurman e Jude Law. Ele se passa em um futuro próximo onde a sociedade abraçou a eugenia como método separador de classes. A eugenia continua proibida como é em nossa realidade, porém o filme nos mostra um vislumbre de como a sociedade pode se aproveitar dos jeitinhos, de fazer vista grossa e de pequenas corrupções, para assim manter uma seleção onde os melhores seres recebem os cargos mais prestigiados e os seres considerados minimamente defeituosos ou com baixa espectativa de vida, acabam por receber todos os trabalhos mais braçais ou menos prestigiados pela sociedade na história do filme.
O personagem principal do filme nasce com uma deficiência congênita no coração, com baixa imunidade e já é catalogado de nascença que não poderá ter nenhum trabalho intelectual.
O filme, embora não mostre um paralelo de tensão entre as classes, foca com maestria em poucos casos para representar um todo. Ele mostra o esforço surpreendente e o inacreditável caminho que o personagem deve percorrer para realizar seu sonho pessoal de se tornar um astronauta.
A separação de classes no filme é uma crítica pesada contra a eugenia, que no futuro poderá determinar o destino de todos os humanos, tornando o preconceito um fator além de maléfico, também genético e diretamente do berço.

 
Conhecemos diversos outros filmes com temáticas similares e que não necessariamente são de ficção científica. Vocês gostariam de indicar algum em especial? Deixe seu comentário abaixo.

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