Crítica do Filme A Bruxa

A bruxa, critica do filme

A Bruxa é um filme de estreia da carreira de Robert Eggers como diretor. Ele emplaca com um belo prêmio de direção no Sundance Film Festival.
A Bruxa conta com uma trilha sonora de arrepiar o corpo feita por Mark Korven, mesmo compositor responsável pelo filme O Cubo, trazendo um trabalho tão enervante quanto a trilha em O Anticristo.
Elementos da estética do cristianismo, como a Santa Ceia, permeiam o filmeEsse filme conta a história de uma família exilada de seu vilarejo e de sua congregação. Eles se mudam para as extremidades de uma floresta em busca de uma vida de redenção, porém as coisas começam a sair dos trilhos em uma sequência de mazelas.
A Bruxa traz um visual gótico com uma fotografia de encher os olhos dos amantes da estética. A escolha do figurino, dos cenários. Tudo bem montado e pensado para nos colocar em uma imersão sem igual naquela época, no século 17 em uma sociedade extremamente religiosa, de meios simples e também de muitos medos.
Tudo era desconhecido, um possível inimigo a cada conflito, até mesmo entre os próprios familiares, pois o que predominava era a hipocrisia pandêmica da época. Desejos são ocultados e não cultivados, o púdico predomina, impedindo os humanos de viver como querem realmente viver. O extremo gera o extremo, raivas escondidas e acusações sem fim. Uma época em que a superstição tomava conta de todos por meio da religião e da falta de conhecimento.
abruxa_criticadofilme_evideoclipe2Todos os elementos que são vistos como inimigos são tradicionalmente atribuídos historicamente aos costumes da época. A definição da natureza como morada do mal, dos animais e das pessoas como veículos e marionetes do mal superior.
Os medos dos personagens transparecem em suas atuações, com destaque para as crianças, que brincam gritando cantigas o tempo todo, trazendo um incômodo constante enfatizando as vistas grossas que a família dá aos filhos. Destaque também para o ator que interpreta o pai das crianças, Ralph Ineson, com uma voz cavernosa e potente, que abraça o telespectador intimidando-o junto com a família nessa figura patriarcal.
Crítica do filme a BruxaO filme traz elementos que remetem à simbologia predominante do local e da época, com referências ao que eles consideravam ser a Bruxaria. O tempo todo somos mostrados sob essa ótica, vendo quais são as interpretações dos personagens frente às mazelas que acontecem nesse isolamento social.
O filme tem um passo lento e crescente, com poucas cenas realmente apavorantes, com um tom certas vezes similar a de um documentário, mas mostra a relação dos personagens entre si formando uma crítica à falta de sinceridade da sociedade na época, da supervalorização dos dogmas acima do bem estar do coletivo, do desejo mais profundo da protagonista, de se viver livre das amarras… deliciosamente.
Trailer:

Minha Avaliação:
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One thought on “Crítica do Filme A Bruxa

  1. Cleber Almeida says:

    Este filme é mais um daqueles que as pessoas amam ou odeiam, pelo simples fato de que é preciso entendê-lo, e bem! A Bruxa, ao meu ponto de vista, é um filme de histeria coletiva onde a super valorização religiosa oprimia o potencial de liberdade individual. Vale a pena vê-lo e atentar-se para este ponto. Cada detalhe mostra claramente quem e como está realizando os fatos “macabros” da trama, de uma forma fantasiosa exaustivamente voltada para os contos de fadas. Que tal vê-lo, e se já viu, comentar sua opinião aqui?

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