Crítica do Filme: O Mestre dos Gênios

Com base em uma história real, O Mestre dos Gênios (ficha técnica e trailer aqui) relata a vida de Max Perkins (Colin Firth), um dos maiores e mais renomados editores literários do mundo, e sua intensa amizade com o escritor Thomas Wolfe (Jude Law) após descobrir o jovem talento e editar suas obras, que se tornaram grandes sucessos da literatura norte-americana.

O filme marca a estreia de Michael Grandage, consagrado ator e diretor teatral, como diretor de cinema. A direção realiza um bom trabalho, conduzindo muito bem o elenco, que proporciona momentos dramáticos e conturbados muito intensos. A reconstituição de época é excelente; os figurinos, cenários, a trilha sonora repleta de jazz, os objetos e veículos, todos os detalhes proporcionam uma viagem à Nova York da década de 30 com toda a sua efervescência.

Jude Law em O Mestre dos Gênios

O roteiro, assinado por John Logan, levou cerca de 20 anos para ser finalizado e contou com o suporte de A. Scott Berg, autor da biografia original de Max Perkins. A atmosfera literária é muito presente nos diálogos longos e poéticos das personagens, tornando-se um pouco cansativa, mas compatível ao contexto. Ao explorar essencialmente a relação entre Perkins e Wolfe, o roteiro acaba por diminuir o espaço de outras personagens interessantes como Aline (Nicole Kidman) e o famoso escritor F. Scott Fitzgerald (Guy Pearce), que acabam por se tornar simples coadjuvantes.

Crítica de O mestre dos genios

Jude Law realiza um trabalho fantástico ao interpretar Thomas Wolfe de forma expansiva e em alguns momentos até um pouco teatral, muito coerente para a personalidade do escritor, que alterna momentos de genialidade, rebeldia e emoção. Colin Firth também realiza um bom trabalho com seu Max Perkins de postura formal, inteligente, contido e seguro, mas não menos expressivo por isso. O contraste entre as atuações dos dois atores imprime ainda mais sensibilidade à amizade entre suas personagens, revelando uma ligação profunda e intrigante entre os dois. Nicole Kidman interpreta Aline Bernstein, a ciumenta e possessiva amante de Thomas Wolfe, com maestria e intensa carga dramática, um trabalho excepcional que só não atinge maiores proporções devido à posição secundária que possui no filme. De forma semelhante, Guy Pearce desperta curiosidade, mesmo estando presente em poucas cenas, ao interpretar Fitzgerald já decadente. Laura Linney interpreta Louise Perkins, a dedicada esposa de Max, sinalizando diversas possibilidades na história, porém pouco exploradas.

O Mestre dos Gênios é um filme que não contempla todas as expectativas à primeira vista de uma história biográfica, mas ao tratar da vida de Max Perkins reflete sobre questões históricas como o papel do editor literário nas primeiras décadas do século XX; até que ponto o editor pode influenciar uma obra e seu sucesso?

Crítica do filme mestre dos genios

Além disso, o filme também explora as relações humanas por outra perspectiva, não se trata de uma atração amorosa, mas de uma atração criativa; mostrando os caminhos, resultados e reflexos que paixões compartilhadas por ideias podem levar. O Mestre dos Gênios é um filme interessante dentro do gênero drama biográfico, proporcionando mesmo que com um enfoque mais restrito, o panorama de um período muito rico da literatura norte-americana com suas figuras tão conhecidas.

Avaliação:

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