5 Pontos Negativos da Série 3% da Netflix

Motivos para não assistir 3%

A primeira produção original da Netflix, 3%, embarca em solo Brasileiro e mostra o primeiro grande esforço da Netflix em agradar o público do Brasil, assim como fez em todos os países em que inaugurou o serviço.
A pergunta que fica é: Vale a pena acompanhar a série? O que as pessoas podem mais ficar incomodadas ao assistir essa temporada? Responderei essa dúvida em dois posts, um analisando os aspectos negativos que mais se destacaram, em minha opinião, e outro post com 5 principais destaques positivos, pois há diversos acertos também, assim vocês ficarão por dentro dessa produção.

Não está no mesmo nível que o diretor de fotografia de “Cidade de Deus” é capaz de produzir

Motivos para não assistir a série 3% da Netflix
O que pensamos ao analisar a fotografia de Cidade de Deus? Planos de câmera mirabolantes, cores saturadas, fortes e impactantes, resultando em um filme de alta violência e reforçado na direção de fotografia. Ensaio sobre a Cegueira é outro em que César Charlone trabalhou muito bem com a fotografia.
Já em 3%, os planos de câmera eram muito sem destaque, sem contraste. A fotografia de quase todos os episódios não surpreende e deixa poucas emoções por excesso de uso de algumas locações e pouca exploração de diferentes locais. O contraste, a saturação, o uso das cores complementares para contrapor o cenário, foram tantos os elementos essenciais para situar uma ficção científica e que foram deixados de lado ou mal utilizados. Tantas possibilidades, tão poucos acertos na fotografia.

Cenários mal planejados e construídos

Ezequiel e cenário em 3% da Netflix
Embora a série tenha escolhido uma locação boa para ambientar o local onde se passa “O Processo”, a Arena Corinthians, a arena e as vielas são os únicos locais bem ambientados na trama, pois conferem um visual  decadente contrastando com o esteticamente limpo e chique ao lado de lá.
As vielas estreitas representam bem comunidades bem populosas como as que existem no Rio de Janeiro, porém no lado de cá há diversas escolhas um tanto quanto feitas de qualquer jeito, sem primor e que usaram uma ótica de rico para um lugar de pobre. Quando é apresentada uma casa dos cidadãos do lado de cá, o lado pobre, vemos casas muito bem pintadinhas e com papéis colados nas paredes, uma solução sem criatividade para dar ar de decadência para um lugar, considerando quantos lugares bons e abandonados temos no Brasil. Locação é o que não falta.

Falas não naturais e atuações ruins para personagens importantes

Atuações em 3%
Um português corretíssimo. Falas impecáveis para as pessoas vivendo de extrema miséria, sem água e com comida racionada. A educação das pessoas do lado de cá não parece ruim como deveria ser consideradas as condições extremas da série. Parece que todos tem uma excelente educação, boas maneiras e não apenas uma parte. Não há contrastes, não há discrepâncias entre o lado de lá e o lado de cá nesse sentido.
Não gostei da interpretação da atriz Bianca Comparato que faz a personagem principal, Michele. Talvez em uma segunda temporada fique melhor, já que a atuação dela foi melhorando perto do final da série. No começo da temporada, ela ficava olhando sempre para baixo, falava baixinho, com expressões que não soavam naturais. Senti que faltou um pouco de naturalidade no papel, assim como a de alguns outros atores infelizmente. Queria ver mais naturalidade em todos os personagens. Há alguns ótimos destaques sim, mas que exemplificarei em outro post.
Atuações ruins em 3%
Faltou os maus elementos, faltou um toque de falta de etiqueta, pelo menos em uma parcela dos que estavam passando no processo. Até mesmo o personagem que vinha de família rica do lado de cá não aparentava ter muita diferença de comportamento dos demais. Faltou uma distinção de classe que não fosse apenas a contada nos flashbacks.
As atuações para os estouros de agressão dos personagens não têm níveis diferentes até chegar no momento de clímax. Temos momentos de extrema violência intercalados com normalidade que não soam naturais. Tentativas de assassinato, de motim, que surgem com muita rapidez, mas que precisam de mais tempo.

Figurino ruim para o lado de cá

Figurino ruim em 3% da Netflix
O figurino é um dos principais problemas da série. O lado de cá, o menos abastado, usa roupas que parecem ter saído de grifes, com golas bem trabalhadas, com mangas impecáveis. Nisso, o primeiro episódio é o mais gritante. Há roupas em perfeito estado, com estampas, com cores vibrantes. Onde uma estamparia conseguiria existir num mundo caótico como esse? Há um excesso do uso de cor para representar o lado de cá, o que é condizente com o contraste que quiseram impor para diferenciar o lado de lá com um tom mais estéril, porém as cores são muito, mas muito vivas, com roupas bem novas. Há recortes de roupas coladas nas camisetas, nas calças, algo que não se faz, ainda mais em caso de falta de tecido, os recortes deveriam ser mesclas no próprio tecido, não por cima dele.
Figurino ruim em 3%
Quiseram passar a impressão de que eles reaproveitavam as roupas, porém como justificar isso com roupas impecáveis por baixo? Além disso, os personagens têm sujeiras pelo corpo, sujeiras de pó preto, apenas para dizer que não podem tomar banho, só que as sujeiras tem cara de falsas, não parecem nem um pouco naturais. A maquiagem nesse quesito não não ajudou nem um pouco. Pobreza não é sinônimo de sujeira, poderiam ter maneirado nisso, deixado mais sutil.
Em uma situação de extrema pobreza como vemos todos os dias das ruas, as roupas não são bonitinhas assim, dando impressão de quem ficou responsável por essa parte nunca foi em lugar de extrema pobreza nenhum, oferecendo uma visão “de rico” sobre a classe em situação de risco.

Abertura sem impacto


A primeira série original Netflix brasileira não teve uma abertura digna de sua importância. Muitos sites nem comentaram esse aspecto. Temos lindas aberturas em diversas séries originais Netflix. Há apenas um breve trecho onde aparecem os rostos para serem apresentados os atores que acabou ficando sensacional. O uso de voz na abertura também não ficou legal, não condiz com o som dos trailers, que aparentava ser muito mais interessante nesse quesito.
A abertura não dá muitas dicas do que se trata a série, não passa uma sensação de desigualdade, tal como foi mostrada nos pôsteres de divulgação, onde o trabalho foi primoroso.
E aí? O que vocês não curtiram na série? Deixem os comentários abaixo e lembrem que os elogios ficarão para um segundo post.

5 thoughts on “5 Pontos Negativos da Série 3% da Netflix

  1. Francisca Maria says:

    Simplesmente faltou falar do PRINCIPAL: um enredo fraco, que não estimula o desejo pelo próximo capítulo, com desafios muito aquém do que se esperaria de uma “seleção” tão importante quanto a proposta pela série e com intrigas (se é que podemos dizer que realmente há alguma) que não passam de infantis tentativas de causar alguma polêmica.
    Em resumo, uma ideia com MUITO potencial e baixíssimo aproveitamento.

  2. Mariana Siqueira says:

    Experimentem assistir dublada em inglês. Fica muito melhor. As falas são mais espontâneas porque os dubladores americanos dão a emoção necessária para fazer funcionar a cena. Foi uma boa série, gostei bastante

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