Assassin's Creed Merecia Ser Assassinado Pela Crítica Especializada?

Assassins Creed Assassinado Pela Crítica

Assassin’s Creed chegou esse verão aos cinemas, não sendo um dos bons destaques, na opinião da maioria da crítica especializada. Diversos sites e jornais avaliaram o filme como péssimo, despontando como um pesadelo em adaptação de games ao lado de Príncipe da Pérsia, dentre outras franquias que ganharam seu espaço nas telonas.
A questão é: Será que a crítica pegou pesado demais ao avaliar tão mal o novo filme? As avaliações chegam a 17% (de 100%) no site Rotten Tomatoes, causando um certo medo do público de ir ao cinema, mas mesmo assim resolvemos assistir para trazer a vocês a nossa opinião.
Assassins Creed - Crítica do filme

Parkour e perseguições de tirar o fôlego. Pontos altos do filme residem no passado mostrado.

Assassin’s Creed conta com milhões de jogadores. Fãs de diversos anos de lançamentos em uma franquia firme e forte. Os elementos que fizeram a franquia ser um sucesso tão grande são diversos, mas os principais são que a história é uma ficção científica que fala um passado alternativo, onde houve uma sociedade secreta responsável por manter a ordem e outra responsável por evitar a tirania.
A história do Credo, dos Templários, dos artefatos perdidos (e exemplos de obras primas que contam seu trajeto), como a Maçã do Éden, a sincronização com o Ânimus, o resquício de aprendizado que o usuário leva para o presente, os segredos por trás de cada missão. Todos são conceitos que os fãs do game conhecem e estão carecas de saber.
Figurino em Assassins Creed

Figurino foi muito bem trabalhado, dando mais vida ao passado retratado.

Nos games somos apresentados aos conceitos, um por um, como usar as armas, como escalar os edifícios e como fazer todas as acrobacias mirabolantes que os integrantes do Credo dos Assassinos são capazes de fazer. Somos colocados no controle, na tensão da missão, por não sermos descobertos, por sermos sombras. O jogo consegue fazer o usuário pensar em cumprir as missões sem ser percebido e sem saber exatamente as respostas para tudo, até chegar a elas no decorrer do jogo.
Quadro Decorativo de Arno de Assassins Creed Unity

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O que o filme peca é pela insistência de explicações, todas logo no primeiro filme, como a de que se trata de um conflito de Templários Versus Assassinos, como o que é a Maçã do Éden (retratado como Pedaço do Éden em inglês) e quais são os efeitos do Ânimus (no psicológico dos usuários), a máquina capaz de sincronizar o indivíduo com as memórias de seus antepassados, permitindo ler a memória biológica e descobrir os segredos daquela época.
Todos sabemos que o ideal de toda obra é apenas mostrar, sugerir. Sutileza é um fator importante em toda mídia e boa parte da jornada, no game, as informações são obtidas com menos impressão de didatismo.
Máquina Ânimus da Abstergo
No game, o Ânimus é apenas um computador, onde o usuário fica deitado e é conectado para que toda a mágica aconteça. No filme, foi usada um braço biônico e projetores, uma solução interessante para fazer a ideia de sincronização entre a pessoa do presente com o antecedente do passado, permitindo o público possa sentir melhor essa sincronia, do que apenas mostrar alguns gráficos.
A fotografia do filme é belíssima. A Espanha da época da inquisição ficou incrível (mais uma mudança em relação ao jogo). Fiquei impressionado com o uso do 3D, principalmente nas cenas de ação, que colocam bastante volume aos efeitos do Ânimus, trazendo mais ainda à vida aquela atmosfera de holograma que o aparelho apresenta.
Abstergo Similar ao game no filme
O prédio da Abstergo, organização que mantém a mantém todo o aparato do Ânimus, conta com uma iluminação sóbria, com tons de cinza e azul em sua iluminação, que traz um visual de assepsia, de instalação com aparência de um hospital psiquiátrico futurista, muito similar aos prédios dos games.
Quem não se sentia com aflição nas fases do jogo onde o tempo era essencial? As fases que exigiam fuga, que exigiam muita velocidade? No filme temos muitas cenas de ação do passado, com os personagens atravessando as janelas, pulando pelos cordões dos varais, pulando de telhas em telhas. Tudo bem coreografado e com um ótimo passo.
Figurino em Assassins Creed nas Batalhas
Por falar nisso, as cenas do passado são todas muito bem feitas. O figurino, a escolha dos cenários, os diálogos. Queria ter visto ainda mais daquilo, ficar imerso naquele passado e ter visto menos do presente. Infelizmente no filme há de se ambientar o personagem principal e fazer esse paralelo, portanto perdemos um bom tempo de tela e ficamos com aquele gostinho de quero mais, que só teremos na continuação.
O parkour se faz muito presente no filme, inclusive com um lindo e breve paralelo da infância de Cal, mostrando uma fuga e como isso poderia ser um leve resquício biológico de seus antepassados.
Quanto ao roteiro, duramente criticado pela imprensa, apresenta a motivação aparente dos Templários, para em seguida, revelar mais nuances. Seria realmente melhor terem ocultado essa explicação para o primeiro filme, mas não é algo que incomode tanto na trama.
Bem e mal em assassins creed
Um ponto interessante que o filme traz e usa a franquia para explorar um pouco é que o conflito de bem versus mal nem sempre é uma história de dois lados. Embora o filme dê a entender que a violência é um fator hereditário, também exalta que os desejos humanos contam com muitas nuances, trazendo um mundo muito mais cinza do que apenas preto e branco.
Os que brandam “a boa vontade”, os “bons costumes”, como a própria inquisição fez, como exemplo, não necessariamente têm esses interesses. Esses anseios podem ocultar outros e assim por diante. Sempre vemos casos na nossa história de “lobos em pele de cordeiro” e isso é um ótimo adendo para usar em uma franquia tão famosa como essa. Esse aspecto do filme acho muito relevante, em um mundo onde as forças ultraconservadoras contam com amplo poder e os interesses de liberdade e justiça são deixados ao vento. Muitos filmes e produções não se importam em trazer isso à luz, mesmo que de uma maneira bem comercial, eles tentaram mostrar que há mais nuances em um ser, que somos capazes de se organizar, de pensar e de lutar pelo que é realmente certo para nós.
Tratamento dos funcionários da Abstergo
Fica aqui o desejo de mais filmes com esse diretor, que mandou muito bem na fotografia e na construção geral dessa adaptação, fazendo-a atrativa também para um público que não jogou ainda a franquia. Justin Kurzel (que também dirigiu a adaptação de Macbeth) trouxe elementos bem engenhosos e animação em minha opinião.
Embora não seja um filme classe A, consegue divertir e muito, se destacando bastante das demais tentativas de Hollywood de emplacar uma adaptação de game. Em minha opinião ele não só não deveria ter sido assassinado pela crítica, como nem chega a incomodar tanto pelas partes que poderiam ter ficado melhores até mesmo na opinião de alguns dos fãs mais ferrenhos da franquia.
Confira o trailer aqui.

Minha avaliação:

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