A Chegada e sua Mensagem para a Década: A Comunicação Unirá a Humanidade

A Chegada - Crítica do filme - Mensagem para a Década

Crítica sem spoilers
O filme A Chegada (Arrival) não deve ser lembrado como um destaque de 2016 por conta de suas oito indicações ao Oscar. Ele deve ser lembrado por conta de seus acertos de fazerem inveja a outras produções de ficção científica dessa década.
Com um roteiro bem amarrado e belíssima fotografia, o diretor Denis Vileneuve (Homem Duplicado, Sicario), traz uma jornada que traz uma sensação de auto-descoberta ao falar o óbvio: precisamos nos conectar.
Mensagem do Filme A Chegada - Comunicação
Como diria Winston em 1984 de George Orwell, “os melhores livros… são aqueles que falam o que nós já sabemos”. Esse filme traz um questionamento muito relevante para essa década e que passa despercebido em nossas vidas agitadas, embora possa parecer óbvio após assistirmos, ele lança uma crítica ao real aproveitamento da nossa capacidade de paciência, análise e intelecto posto em prática, principalmente ao ser confrontado e posto em xeque contra o instinto de batalha, de destruição e supressão do diferente, comum de nossa espécie.
A história humana não está a par do que achamos que somos no dia a dia. Temos uma pretensão de sermos melhores, quando nosso comportamento como coletivo é, no geral, moralmente ruim, mal planejado e mal coordenado. Temos dificuldade, como espécie, de termos empatia, de pensar no próximo, de ouvir em vez de falar, e o filme critica isso, em cheio, com uma linda metáfora e maquiado de ficção científica, tal como toda boa ficção científica deve fazer: colocar em xeque o que há de mais crítico no ser humano.
Ser prudente é confundido com ser austero, que é confundido com a resposta com a agressão, com a falta de empatia, com o desprezo. O filme fala muito disso em pouco tempo, de forma eficiente. Somos mais brutos e ríspidos do que precisamos ser para sobrevivermos e isso um dia deve parar.
Um lindo filme, que muitos que têm certo preconceito à ficção científica podem adorar, pois bebe muito da fonte de grandes mestres e de suas adaptações já conhecidas, como “O Contato”, que passam uma mensagem similar, de que há um caminho, há uma esperança e que ela deve ser seguida, pouco a pouco.
A mensagem do filme A Chegada - União
Neste filme somos apresentados à uma personagem, especialista de idiomas, que conta com um desafio à frente, quando 12 naves monolíticas aterrissam na Terra, causando um alvoroço geral no planeta. O governo a chama para traduzir o que os visitantes dizem em pouco tempo. Exércitos querem a sua destruição, países têm dificuldades em coordenar com calma as ações, gerando uma Torre de Babel moderna.
O filme traz figuras conhecidas de hollywood, como Jeremy Renner (Os Vingadores), Forest Whitaker (Rogue One, O Quarto do Pânico) e também Amy Adams (Batman Vs Superman: A Origem da Justiça, Prenda-me se for Capaz) como a protagonista, porém as atuações, até mesmo dos secundários não são o destaque do filme, com atuações medianas, que não são dignas de destaque.
A Chegada - Nave Alienígena no FIlme - Confira do que se trata o filme aqui
O que carece de força na atuação deles, há um belíssimo trabalho na ambientação da trama, colocando tudo em movimento, em ação. Seja na escolha dos efeitos especiais, seja na escolha do diretor em deixar a mensagem bem sutil mesmo ou até mesmo na fotografia, que nos coloca de joelhos aos monolíticos meios de transporte alienígena, Denis Vileneuve acaba sendo o grande maestro que traz à vida esse filme, sem didatismos exagerados, o que traz um excelente resultado final, perfeito para os que curtem filmes com reviravoltas insanas como A Ilha do Medo, A Origem, Homem Duplicado (este último feito pelo mesmo diretor), entre outros.
A Chegada, Escrita do Filme - Alienígenas, MensagemO enredo é adaptado a partir de um conto de Ted Chiang, escritor conhecido de ficção científica, ganhador de diversos prêmios do gênero. O conto (ganhador do prêmio Nebula) chama-se “História da Sua Vida” e contou com algumas mudanças para ser adaptado para filme.
Tanto no conto inspirado, como o filme, a história se apóia em uma hipótese de Sapir-Whorf. Essa hipótese foi formulada por dois linguistas que imaginaram que a língua de povos determina sua cultura e universos mentais, portanto, conhecer seus idiomas e culturas, poderia levar a entender a forma como esses povos pensam e como “percebem” o mundo. Essa concepção pode sugerir também que o idioma, a estrutura de nossas comunicações é o que determina a nossa forma de pensar, nossas capacidades e o nosso agir, não sendo apenas veículos, mas também recipientes, onde há uma quantidade limítrofe de inferências, pensamentos e ideias que podem ser montadas em uma mente. Isso é embasado no filme, com uma boa pitada de ficção científica, para trazer uma forte crítica social, muito necessária nessa década de falta de tolerância e de aversão ao próximo.
Em minha opinião, embora os atores ajudem a trazer à vida essa trama, eles não foram tanto destaque quanto os demais elementos e o conjunto da obra. A Chegada traz uma sensação bem similar ao filme Contato (que recebe até mais louros na mesma temática), com um tom de esperança para nós. Mais um filme capaz de nos faz suspirar e imaginar um futuro em que tenhamos orgulho de sermos humanos.
Rumo a um caminho para uma humanidade melhor: a comunicação e a paciência posta em prática. Que tal colocarmos isso em ação, pensando um pouco no próximo? Na evolução do todo? O que podemos fazer para conscientizar os outros de que a comunicação é essencial para termos um futuro? Um futuro próspero para todos. Um futuro em que todos podemos ganhar e vencer juntos?

Minha Avaliação:
[yasr_multiset setid=0] Confira o trailer:

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