A Dificuldade das Produtoras em Entender o Problema do "Whitewashing"

Problema de whitewashing em Hollywood

O qué “Whitewashing“? Este termo designa a escolha ou preferência por atores caucasianos e norte-americanos para interpretar personagens que deveriam ser feitos por atores de etnias estrangeiras.
O termo é muito comum nos Estados Unidos e significa literalmente “Alvejar”. Sabe quando colocamos as roupas para ficarem branquinhas na máquina de lavar? É uma lavagem para que a roupa saia ‘alvinha’.

Frases que disfarçam o problema do whitewashing em diversos filmes:

“O ator era a melhor pessoa para aquele papel.”
“Precisamos de uma pessoa que seja marketeável e que possa tocar o público.”
“Essa é uma adaptação de um mundo de fantasia, portanto podemos tomar liberdades criativas como essa”
“Não conseguimos encontrar ninguém adequado para este papel”

Isso é péssimo não só nos Estados Unidos, como em qualquer lugar do mundo. Esse processo de embranquecimento da indústria cinematográfica só revela o problema de como as demais etnias são avaliadas pelo mercado e que mostram como o ser humano ainda conta com preconceito, mesmo que velado, quando não deveria de forma nenhuma.
Whitewashing nos filmes

Antagonistas sempre representados nos filmes como latinos ou de outras etnias. Os brancos são sempre heróis.

atriz americana interpreta papel de chinesa em um clássico exemplo de whitewashing do filme Dragon Seed

Outro exemplo de whitewashing no clássico filme Dragon Seed.
A chinesa sendo representada por uma americana.

Há diversos exemplos de como isso virou um hábito há muitas décadas, sejam eles personagens históricos ou fictícios, os atores escolhidos para os papéis raramente eram os mesmos representados nos livros, quadrinhos ou desenhos. Isso ressalta um problema que deve ser algum dia compreendido pela indústria cinematográfica, mas não parece ter fim.
Atualmente a bola da vez está em A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell, um lançamento com um refino fantástico de efeitos especiais e produção, mas que não está retornando nas bilheterias o investimento aplicado, não somente nos Estados Unidos, como no mundo todo.
No caso de Ghost in The Shell, embora o filme seja muito bom em muitos aspectos, como em fotografia, em efeitos especiais e na escolha de diversos atores, na hora de escolher a atriz principal, a que leva a capa do filme, a que recebe os louros e que representa o ideal da produção, os organizadores acharam que não seria nenhum pouco interessante ter uma japonesa para o papel e escalaram… Scarlett Johansson.
Para piorar a situação da produtora os olhos da atriz foram maquiados e colocados efeitos para que assemelhassem um olho japonês. Eles ainda colocaram uma justificativa para que a atriz se assemelhasse diferente de uma japonesa no decorrer da história, mas se tornou um problema muito maior do que eles imaginaram do que seria.
whitewashing filme scarlet
 
O filme acabou não tendo o mesmo sucesso nas bilheterias do que o esperado e a produtora justificou em entrevistas que isso se deu pelo excesso de críticas que surgiram sobre o filme. Que as críticas eram duras demais e que o filme não merecia ser ‘crucificado’ por isso.
Acredito que a melhor forma de ver essa questão seria analisarmos sobre os olhos do outro. Como que um fã observa uma obra tão querida ser retratada dessa forma? Como que um japonês se sente sabendo que a produtora não teve interesse de usar uma japonesa para interpretar o papel? Que Scarlet parecia mais adequada para representar uma personagem japonesa?
É um questionamento que o público deve fazer a cada produção sim, pois é somente com questionamento e diálogo que podemos derrubar paredes de preconceito que ainda contaminam Hollywood até hoje e principalmente nessa onda desnecessária de Remakes como Old Boy, Quarentena, entre tantos outros. Sempre que um destaque é apresentado ao mundo, Hollywood acha que aquilo não é digno o bastante e remastiga, trazendo uma versão americana, uma visão americana sobre aquela arte, como se a original não fosse boa até que uma feita em Hollywood existisse.
Que mundo queremos viver? Um mundo que abraça as diferenças, enxergando a beleza delas ou um mundo em que tudo deve ser setorizado e feito de acordo com apenas um padrão? Motoko merecia em minha opinião uma representação mais fiel à sua terra, às suas origens, afinal de contas os japoneses nunca representaram Abraham Lincoln como um japonês, por que o oposto deveria ser diferente?
Em breve review aqui no eVÍDEOCLIPE.

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