Especial Games Dia dos Pais | Jogos e as relações entre pais e filhos

pai

Não é uma regra, mas num geral nosso primeiro vídeo game é um presentão que ganhamos de nossos pais, aquele momento mágico que desejamos ansiosamente, quando não é desta forma, já maiores compramos e auto realizamos o nosso sonho. E não estou falando de casos isolados, afinal o público de apaixonados por games em todo o Brasil é bem grande.

De acordo com a Pesquisa Game Brasil realizada em 2016 com 2848 pessoas entre 14 e 84 anos, 74,7% deles curtem jogos eletrônicos e 52,6% deles são mulheres um aumento significativo em relação a 2015 onde as jogadoras somaram 47,1%. A maioria dos gamers tem entre 25 e 34 anos.

Com o crescimento acelerado do mercado de jogos e pelo número de aficionados por este segmento de entretenimento, como se dá a relação da família num momento que não apenas os jogos, mas todo movimento mobile tem colocado as pessoas à um individualismo imersivo ao mundo virtual?

Pais e Filhos Jogando Juntos

Ainda de acordo com a pesquisa, 33,2% dos gamers moram com seus filhos e 33,6% moram com os seus pais, ou seja, temos um equilíbrio entre pais e filhos jogando e 77,2% estão jogando em smartphones, ou seja, praticando literalmente o individualismo.

Embora o smartphone lidere a preferência pela jogabilidade, ele não é exatamente a preferência quando o assunto é jogar em casa, ele aprece com 54,6% da preferência, sendo o computador com 60,7% a melhor opção para os gamers, o que já abre possibilidades de interação com a família considerando o fato de que o PC oferece a opção de jogar com mais de uma pessoa, o que facilita ainda mais é o número de usabilidade de notebook par sendo 68,6% contra 35,7% do PC.

Um dado importante a considerar relativo as relações da família com os jogos está voltada para a idade dos filhos dos filhos destes jogadores, e as crianças com até 5 anos são a maioria com 44,3%, seguidos por com até 10 anos (27,4%), com até 15 anos (25,8%), até 20 anos (17,5%) e acima de 20 anos (10,1%), ou seja, pais que curtem jogos eletrônicos tem um bom motivo para manter uma boa relação lúdica com seus filhos por meio dos games e mesmo jogando por meio de smartphones, podem encontrar uma forma de interação que seja saudável à família.

A boa notícia é que 85,6% dos entrevistados jogam com o seus filhos, sendo que 65,8% gostam que seus filhos joguem, porém, com ressalvas e 62,2% fazem algum tipo de filtro e controle sobre os jogos.

Pais e Filhos Jogando Videogame - Entrevista com psicologa

Considerando esse bom número participativo entre pais e filhos, qual é a influência que esta relação por meio do jogo pode causar entre pais e filhos? Mesmo que o número de mulheres tenha crescido, como é a relação e importância do pai dentro da atividade?

Nós entrevistamos a Psicóloga Clínica Angelita Alves formada pela Universidade São Judas em São Paulo e esclarecemos algumas dúvidas sobre esta questão.

Cleber Almeida: Sabemos que a presença e participação tanto do pai quanto da mãe na formação do individuo é de extrema importância, mas existe algum relação diferente na participação individual?

Angelita Alves: De maneira geral o indivíduo tende a amadurecer emocionalmente através dos cuidados de ambos os pais, sabemos que nas novas formações familiares não é possível estabelecer um padrão familiar no qual somente existe os papéis de pai, mãe e filhos como um modelo de “família tradicional”.

É importante que a criança e o adolescente se sintam vistos pelos pais (independente da formação familiar) e se sintam atendidos em suas necessidades, para se sentirem seguros para amadurecer emocionalmente e se desenvolver de maneira saudável. Individualmente cada membro da família estabelece um tipo diferente de interação levando em conta a personalidade de cada um e isso proporciona uma variedade de experiências afetivas aos filhos.

Cleber Almeida: Como o pai pode usar os jogos eletrônicos para estreitar as relação com os filhos?

Angelita Alves: Os pais de alguma maneira devem tentar se aproximar do mundo em que os filhos estão inseridos e ter informações sobre os assuntos de maior interesse ajuda na aproximação e na troca de informações além de criar afinidades e competições saudáveis entre eles.

Cleber Almeida: Embora os pais tenham moderado o uso de alguma forma, você acredita que os jogos podem ser benéficos de alguma forma na formação do individuo? Existe algum meio de adaptar e mensurar os resultados sobre isso?

Angelita Alves: Os jogos podem proporcionar ao indivíduo pensamento estratégico, melhora na capacidade de memorização e criatividade. É importante estar atento aos tipos e a faixa indicativa de idade dos jogos, pois alguns jogos com conteúdos de violência e com conotações sexuais podem ser prejudiciais a formação de crianças e adolescentes. Os pais devem estar atentos a isso e também saber dosar o tempo de exposição aos jogos. Por que a formação psicomotora pode ser comprometida com a falta de atividades físicas. Existem algumas pesquisas que abordam o tema com mais profundidade.

Cleber Almeida: O número de mulheres jogando no país cresceu consideravelmente e hoje são a maioria. Existe alguma diferença entre mãe jogando com os filhos ou pai jogando com o filhos?
Angelita Alves: De maneira geral não faz diferença , pois é importante priorizar a interação e a diversão entre pais e filhos. Se houver a participação de ambos com certeza os momentos de diversão serão de melhor qualidade.
Cleber Almeida: Como deve ser feita a pratica das relações durante a jogabilidade de uma forma extra jogo, usando-o como motivo para aproximação entre pai e filhos?

Angelita Alves: Através da troca de informações e discussão sobre os temas dos jogos e tentando empregar alguns conceitos na realidade estabelecendo também uma discussão com os filho sobre a diferença entre a realidade e o jogo.

Cleber Almeida: Mesmo que o pai não goste de jogos eletrônicos, é interessante a participação com os filhos? Por que?

Angelita Alves: É de extrema importância participar das atividades dos filhos e isso inclui os jogos eletrônicos, também é possível através do diálogo estabelecer uma troca de gostos , os pais participam dos jogos dos filhos e aprendem com os pais sobre as preferências deles , assim haverá a possibilidade de conhecer e dialogar sobre assuntos diferentes. É importante porque os filhos criam afinidades e vínculos afetivos estreitos com os pais, além de saber que mesmo os pais não tento afinidade com o seu mundo demonstram a vontade de fazer parte dele e os filhos se sentem vistos pelos pais e entendidos em suas necessidades.

Cleber Almeida: Na media geral os jogos de ação são os mais procurados, sendo 43,8%, especialmente para os homens que representam 46,5% contra 41,3% das mulheres. O tipo de jogo pode interferir de alguma maneira numa boa relação entre pai e filhos?

Angelita Alves: Na relação entre pais e filhos, os jogos podem proporcionar interação, troca de informações e discussões sobre os temas abordados nos jogos e isso é positivo para as relações afetivas. Porém, isso não é influenciado pelos tipos de jogos.

E aí, ficou alguma dúvida? Quer perguntar algo relativo a relação de pais e filhos e a influência dos jogos eletrônicos na família? Deixe seu comentário abaixo que a Psicóloga Angelita Alves responderá suas dúvidas.

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