Em Ritmo de Fuga e o poder de uma boa playlist em mãos

baby driver - ritmo de fuga

A música sempre ajudou o ser humano a se expressar. Cantarolamos quando estamos tristes, felizes, menlancólicos e quando estamos apaixonados.
Há indícios científicos de que a música desperta lembranças e de que é essencial como elemento terapêutico, dado que vale um artigo à parte em nosso site. A música serve como lembrete de épocas de nossas vidas, para sentimentos positivos e negativos.
Edgar Wright (diretor de Scott Pilgrim contra o Mundo) traz esse belo filme que mostra um jovem apelidado de Baby, que ama dirigir, interpretado por Ansel Elgort (A Culpa É das Estrelas). Quando falamos em dirigir, não falamos em Uber, claro, mas em alta velocidade. Esse garoto traz consigo uma maestria em drift, fuga e em despistar carros em sua cola. Baby é o típico jovem que encontrou más companhias e que tem um talento que é visado por bandidos que só desejam explorar sua capacidade.
Baby trabalha para Doc, interpretado por Kevin Spacey (House of Cards, Seven) que cobra uma dívida sua em troca de serviços que nunca terminam. Há outros ladrões e personagens no filme, que contracenam bem com Ansel, como Jon Bernthal (The Walking Dead, O Justiceiro), Lily James (Mamma Mia), Jon Hamm (Mad Men), Jamie Foxx (Django Livre) e Eiza González (Os Croods). Há inclusive diversas referências a filmes clássicos de bandidos, como Cães de Aluguel, em que os personagens tomam café da manhã reunidos e fazem coisas comuns do dia a dia.
Destaque principal fica para CJ Jones, que interpreta Joseph, o pai adotivo de Baby, que é surdo na trama (e na vida real também).
baby driver ritmo de fuga - diretor do filme
O filme traz todo um clichê dos anos 80/90, com carros populares sendo usado em fugas alucinantes. O jovem é usado como motorista de fuga em diversos roubos a bancos, clássico estilo de filme de fuga de roubos como, por exemplo, Saída de Mestre (Italian Job) e 60 Segundos.
Baby tem uma característica que é a de ouvir suas dezenas de playlists espalhadas em diversos iPods diferentes. Ele não suporta ficar sem ouvir músicas e a trama trata de explicar bem seus motivos. Suas músicas marcam seus momentos no dia a dia, desde a hora de pegar o café, até a hora de fazer seu próximo ‘trabalho’. Cada momento de Baby precisa de uma trilha para acompanhar.
Steven Price é quem assina como compositor da trama. Ele trabalhou em filmes como Gravidade (vencedor de Oscar) e também Esquadrão Suicida e Corações de Ferro, mas o grande destaque da trama fica não para o score, mas para as músicas usadas nas playlists de Baby.
oculos escuros baby driver
As playlists de Baby funcionam como elemento crucial da trama. Os personagens interagem e comentam sobre as letras e as músicas estão presentes no filme quase totalmente de forma diegética, são essenciais na narrativa e são ouvidas pelos personagens, seja no rádio do carro, como música de um bar ou tocando nos fones de Baby, trazendo muita empolgação em descobrir qual será a próxima faixa que será referenciada.
E é aqui que aparece outro grande destaque do filme, os plano-sequências, dois em especial, que mostram uma ação inteira sem nenhum corte aparente. Há um trabalho muito bem feito em criar uma ação de um ponto A para um ponto B em que o personagem interage com diversas pessoas, seja em uma fuga ou apenas para comprar o seu café sem nenhum corte.
carros em baby driver
Os carros, por sua vez, são usados Subaru, Pick-ups, Camaro e até mesmo alguns inusitados como um Corola em perseguições por toda a cidade de Atlanta, fazendo a polícia comer poeira. Tudo com uma sincronia de cortes muito bem pontuados, mas não lembram filmes recentes como Velozes e Furiosos, o objetivo nessa trama não parece enaltecer força e velocidade, mas sim a habilidade de Baby e sua calma frente ao que aparece como desafio e seu romance no filme.
Terminei de assistir ao filme com um belo sorriso no rosto. Senti e muito aquela nostalgia dos filmes da Sessão da Tarde. Em Ritmo de Fuga me trouxe um pouco daquela sensação do que era planejar uma mixtape, de escolher cada música para um momento. De ouvir para lembrar, de pensar em paralelo de uma letra marcante. A música como paralelo de uma atitude. Nosso dia a dia transformado, além da paixão do personagem principal pela liberdade da estrada, como paralelo de assumir as rédeas de sua liberdade, de sua essência.

Trilha Sonora do Filme:

1. “Bellbottoms” Jon Spencer Blues Explosion
2. “Harlem Shuffle” Bob & Earl
3. “Egyptian Reggae” Jonathan Richman & The Modern Lovers
4. “Smokey Joe’s La La” Googie Rene
5. “Let’s Go Away for Awhile” The Beach Boys
6. “B-A-B-Y” Carla Thomas
7. “Kashmere” Kashmere Stage Band
8. “Unsquare Dance” Dave Brubeck
9. “Neat Neat Neat” The Damned
10. “Easy” The Commodores
11. “Debora” T. Rex
12. “Debra” Beck
13. “Bongolia” Incredible Bongo Band
14. “Baby Let Me Take You (In My Arms)” The Detroit Emeralds
15. “Early in the Morning” Alexis Korner
16. “The Edge” David McCallum
17. “Nowhere to Run” Martha and the Vandellas
18. “Tequila” The Button Down Brass
19. “When Something Is Wrong with My Baby” Sam & Dave
20. “Every Little Bit Hurts” Brenda Holloway

Trailer legendado:


E vocês? Curtiram o filme? Que nota vocês dariam a ele? Comentem abaixo e indiquem para os amigos. Em Ritmo de Fuga é recomendação da vez no eVÍDEOCLIPE.

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